Goleiro do Clube de Regatas Flamengo, dono de um salário sui generis no mundo futebolístico e um temperamento que, convenhamos, não é nenhum exemplo pra ninguém. Acusado de ser o mandante do sequestro que culminou com o assassínio de sua amante, Eliza Samudio, Bruno é um exemplo de como dinheiro, fama e poder podem corromper o "ser" humano mal instruído.
Ontem, assistindo o canal de esportes da ESPN, um dos comentaristas do linha de passe fez uma colocação bastante pertinente. Até onde o Clube é responsável na formação do jogador como pessoa? Será que se os clubes de futebol pudessem enxergar seus jogadores como pessoas humanas, que necessitam de uma orientação psicológica para o trato com certas situações comuns aos jogadores profissionais de futebol, e não como Gado pronto para venda para o exterior, situações como esta poderiam ser evitadas?
Constantemente fico me relembrando que os jogadores profissionais de futebol, em sua grande maioria, são filhos de uma classe baixa, ou classe média baixa, portanto pessoas que conhecem muito bem a falta de capital. Ocorre que realmente, o impacto psicológico de um aumento brusco de renda torna o sujeito beneficiado uma verdadeira arma apontada para a sociedade. Pessoas que não tiveram um certo grau de instrução educacional e foram agraciados com essa mudança repentina de classe social pelo acréscimo de dinheiro em sua renda, acabam por se deixarem influenciar pelo meio em que vivem. Como é caso de alguns bons jogadores de futebol envolvidos em algumas recentes polêmicas.
O fato é que esse trabalho psicológico deveria ser fornecido pelo clube, porque, quem o presta serviço não é somente o jogador profissional, mas o jogador pessoa, tanto que os reflexos deste segundo constantemente são vistos no calor das partidas nas quais a pessoa deixa de lado o profissional e agride outro jogador. Destarte, se torna imperioso notar que existe uma parcela de culpa do clube na formação moral do jogador, através dos aconselhamentos extra-campo. Todavia, ponderemos que a conduta da pessoa fora das dependencias do clube é de inteira responsabilidade da própria pessoa.
Todos os indícios apresentados pela imprensa, até agora, nos fazem crer que uma condenação é inevitável. Não pretendo defender o goleiro Bruno que a meu ver deve ter praticado/participado deste ato animalesco, mas sim defender a instituição jurídica que deve julgá-lo através de um processo justo. Caso for decidido pela utilização do Tribunal do Juri (muito provável), acreditamos que, assim como no caso Nardoni, os jurados já estarão com a decisão tomada. Tudo culpa de um Direito Penal Midiático que quem sabe trataremos em um post posterior.
O fato é que a constituição assegura que ninguém será considerado culpado até sentença penal condenatória transitada em julgado, assim como que serão garantidos a todos o direito de contraditório e ampla defesa nos processos administrativos e judiciais, e a promessa política de garantir a segurança pública falha e se volta para o criminoso, sempre para o criminoso. Nós acabamos sendo enganados pelo Estado que peca na proteção da segurança pública e pune o acusado com uma violência desnecessária.
Por isso é que constantemente me pego pensando que uma das grandes verdades do "ser" humano foi proferida por Publius Cornelius Tacitus: "Os homens apressam-se em retribuir as ofensas, porque a bondade é um fardo enquanto que a vingança um prazer".
Que o goleiro seja processado e julgado. Mas que a sentença não seja o prazer de uma ilusória vingança social.
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