Amin Dib Taxi & Papaléo Advocacia

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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Quando as portas se fecham...

2010, há algum tempo atrás quem poderia imaginar que a humanidade chegaria tão longe? Tantas conquistas, tantos sucessos. As maravilhas do “mundo moderno” chegam até a assustar com constantes inovações tecnológicas e científicas. Mas, parece-me que em algum lugar, em um tempo longínquo da história, deixamos de lado uma parte importante de nós mesmos. O mundo não é um conto de fadas, a esperança acabou em muitos corações e, às vezes, algumas portas se fecharam até mesmo para aqueles com as melhores intenções.

Ronald Dworkin sustentou a tese de que existem direitos morais que possibilitam ao cidadão agir contra o Estado (Goverment), e por vezes até justificar a atuação deste contra a lei. O fato é que realmente a alegação é plausível, até porque não necessariamente a visão do Estado é a mais correta ou justa, mas sim a relação sistêmica dos objetos, valores e princípios a serem defendidos no caso concreto. Muitos podem (e vão) concordar que é quase impossível chegar-se a respostas corretas em todos os casos, devido a várias hipóteses e variantes que condicionam a aplicação do valor justiça ou certeza. Contudo, vos afirmo com plena convicção de que ao procedê-lo não incido em equívoco algum: o ser humano esqueceu a importância da humildade, por isso não consegue alcançar o equilíbrio necessário para iniciar sua evolução moral e encontrar respostas corretas.

Traímos-nos em acreditar que procedemos corretamente quando nossa conduta é baseada em princípios egocêntricos (o paradigma atual do pensamento humano). Portanto, não é necessário se travar árduos embates teóricos, filosóficos ou pragmáticos quando um advogado demanda um princípio moral em face de ato de desembargador, para saber quais portas deverão se fechar para o advogado no futuro próximo, mesmo ambos tendo acreditado que seus atos são legítimos; porque ao se discutir acerca da certeza da pequeneza de um ou da grandeza de outro estamos fechando a porta do caminho ao reencontro do lado esquecido da humanidade. E isto nos causa uma dor enorme.

Todo o exposto acontece porque não conseguimos enxergar-nos como seres que necessitam de aprimoramentos, seres falhos e imperfeitos que somos. Partimos do pressuposto de que nossas atitudes e idéias são perfeitas, corretas ou justas. Entretanto esquecemos que perfeição, certeza ou justiça condicionam-se a uma realidade específica por serem espécies de valor. A grande certeza que se pode ter da humanidade foi proferida em tempos remotos quando 2010 não era nem um sonho. “só sei que nada sei”, disse Sócrates quando inquirido acerca de seu conhecimento. A premissa socrática consiste no reconhecimento do ser humano como sendo ignorante diante da grandeza do universo, portanto acalentando-se nos seios da humildade para que busque o conhecimento verdadeiro; que as coisas que realmente importam são as coisas da alma.

Se eu deixo de proceder na certeza de que estou agindo em nome dos pilares espírita-cristãos da caridade e da humildade, estou me deixando controlar pelo processo degenerativo da moral humana, que é tendente a abolição do “todo” pelo “eu”. Isso é uma constante perigosa em todas as profissões, mas aqui tratamos especialmente no ramo da advocacia. O porquê, muitos não irão nem saber, mas o importante é acreditarem que por mais árdua a estrada possa ser, por mais difícil que possa ser a provação, uma porta sempre estará aberta para aqueles que agem com humildade em seus corações, a porta da casa de Deus.

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